Vulgo Jamelão


05/04/2011


"VIP'S"

 

VIP’s, o filme, baseado em fatos reais, nunca se decide entre ser um drama psicológico a respeito de um homem dividido entre a vida real e todas as que imaginam ou uma comédia ao estilo "Prenda-me se for capaz".

O filme de correu o risco de ter sua estreia abortada pelo retratado, mas chegou às telas um tanto ofuscadas pelo sucesso de público de “Bruna Surfistinha”. Sem nem metade do poder midiático da história da ex-garota de programa vivida por Deborah Secco, "VIPs" corre o risco de passar batido, mesmo contando com Moura no papel principal.

Para quem não sabe, "VIPs" conta a história de Marcelo, um jovem com enorme talento para fraudes que, no caminho para realizar o sonho de tornar-se piloto de avião, embarca em uma série de mentiras e fraudes que o levam a trabalhar para um traficante de drogas e, posteriormente, durante um Carnaval em Recife, assumir a identidade de um dos donos da Gol - a ponto de dar uma entrevista para o programa de Amaury Jr.. (risos). Só mesmo Wagner Moura para apresentar mais uma performance memorável em sua carreira já brilhante.

“VIPs” não é grandioso, na verdade faz apenas sua lição de casa. Porém, consegue amarrar o público o tempo todo, com isso faz ser difícil que, quem pague o ingresso, e não  saia do cinema super satisfeito por saber que seu dinheiro foi bem gasto.

Enfim, Wagner Moura está mais uma vez impecável na sua atuação, o que valoriza bastante o desenvolvimento do filme que em muitos momentos é divertido e consegue prender a atenção do público até o final. “Teve bom demais!".

Escrito por Jamilton Neres às 23h29
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28/03/2011


"Sintaxe à Vontade"

Sem horas e sem dores
Respeitável público pagão
a partir de sempre
toda cura pertence a nós
toda resposta e dúvida
todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser
todo verbo é livre para ser direto e indireto
nenhum predicado será prejudicado
nem tampouco a vírgula, nem a crase nem a frase e ponto final!
afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas
e estar entre vírgulas pode ser aposto
e eu aposto o oposto que vou cativar a todos
sendo apenas um sujeito simples
um sujeito e sua oração
sua pressa e sua verdade,sua fé
que a regência da paz sirva a todos nós... cegos ou não
que enxerguemos o fato
de termos acessórios para nossa oração
separados ou adjuntos, nominais ou não
façamos parte do contexto da crônica
e de todas as capas de edição especial
sejamos também o anúncio da contra-capa
mas ser a capa e ser contra-capa
é a beleza da contradição
é negar a si mesmo
e negar a si mesmo
pode ser também encontrar-se com Deus
com o teu Deus
Sem horas e sem dores
Que nesse encontro que acontece agora
cada um possa se encontrar no outro
até porque...

tem horas que a gente se pergunta...
por que é que não se junta
tudo numa coisa só?

Autor: O Teatro Mágico

Escrito por Jamilton Neres às 23h16
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"Além da Vida"

          O que esperar de um filme produzido por Clint Eastwood, estrelado por Matt Damon e com produção executiva de Steven Spielberg? Obviamente, a resposta seria: Um filme fantástico! Mas, há controvérsias...

         Não vou ficar dando voltas e mais voltas para explicar como é o filme, porque ultimamente não ando dando muita sorte no quesito escolha de filme. Tinha visto a propagando de “Além da Vida” e quando li a sinopse achei interessante, já que trata de um assunto muito intrigante: a morte. Em diferentes pontos, espiritual e até científico. Mas na realidade o filme é ruim, deixa muito a desejar.

          “Além da Vida” conta a história de George, Marie e Marcus, três personagens, em diferentes partes do mundo, que são assombradas pela mortalidade de diferentes maneiras. Cada um segue um caminho na busca pela verdade, pelo que eles acreditam que possa existir na vida após a morte. São três histórias que se sustentam sozinhas, mas que ao mesmo tempo se entrelaçam.

          De alguma forma, todos nós podemos nos identificar com os sentimentos desses três personagens: amor, perda, solidão e contato. Coisas que todos nós experimentamos. E apesar de ser um filme voltado para o espiritismo, “Além da Vida” está além de qualquer crença ou religião. Não nos dá a resposta do que acontece quando passamos para o outro lado, mas nos passa uma mensagem de como definir a vida, e lidar com a morte.

          Enfim, não gostei do filme. Esperava mais de um filme dirigido por Clint Eastwood. Sobre o tema do filme: vida após a morte, não sou cético, e mesmo para aqueles que se dizem céticos quando o assunto em questão, ainda penso que filmes que trabalham a questão do espiritismo, deixam muito a desejar, “empolgando apenas ao público espírita”. Enfim, “teve ruim!”.

 

 

PS: A impactante cena inicial que mostra um devastador tsunami na Ásia, foi foda! Foi por esse o motivo, inclusive, do filme ter sido tirado de cartaz no Japão.

 

Escrito por Jamilton Neres às 01h15
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26/03/2011


Presente, Literatura e Você:

          Atualmente, o mundo privilegia a imagem e a rapidez das informações. As transformações sociais se processam, alterando consideravelmente a nossa vida cotidiana. É um equívoco pensar que não há espaço para a leitura e, em particular, para a Literatura.

Não quero criar uma solução, muito menos um paliativo; só gostaria de chamar a atenção para uma forma especial de transformação social: a Literatura. Procurar entender o homem e seu mundo, seu ambiente, suas alegrias, emoções, angústias e aspirações. Em um dado momento, as palavras criam uma realidade, uma supra-realidade, um universo autônomo capaz de conduzir o leitor a mundos imagináveis, causando prazer aos sentidos, despertando a sensibilidade. Ela nos permite, através da interação, tomar contato com um vasto conjunto de experiências acumuladas pelo ser humano ao longo de sua trajetória, sem que seja preciso vivê-las novamente.

Hoje, após mais um dia de trabalho, fui presenteado (como é bom receber presentes), trata-se de um excelente livro Didático sobre História da Literatura. Ao receber este livro de uma consultora literária, fiquei pensando em escrever alguma coisa a respeito do conteúdo especifico do livro.

Pensando nisto, resolvi criar um espaço para que sirva de reflexão; um convite a você, que privilegia o raciocínio, que se diverte, que gosta de descobrir coisas novas, que têm emoções, dúvidas, anseios, que, enfim, participa ativamente da sociedade numa contínua interação com os outros. Não se intimide ao dar uma opinião...porque tem opinião.

Quero contribuir para despertar talentos e interesses na Literatura através da análise e da interpretação pessoal, de tal forma que, pela simples leitura assimilativa e crítica, induza à compreensão da importância inestimável de cada leitor no seu tempo e em todos os tempos.

Sendo assim, desenvolver a capacidade de olhar para obras literárias do passado, não com as cobranças da atualidade, mas com a vontade de descobrir a razão de as pessoas se comportarem de uma maneira que nos parece inexplicável, torna possível vislumbrar um cenário maior em que o “artista da palavra” não é o único a “ver” o mundo de certa maneira. É isso!

Escrito por Jamilton Neres às 00h01
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04/03/2011


"Sou o que posso ser"

Há exatamente 5 anos pisei pela primeira vez o chão de uma sala de aula com a curiosidade de uma criança e com a vontade de um idealista. Foram momentos de batalhas até contra mim mesmo, porque meus conceitos foram sendo transformados por experiências novas.

Sempre fui instigado a conhecer e a desvendar mistérios, normal para um sujeito que procura o conhecimento. Mas nunca, porém, consegui entender por que a minha profissão é encarada como “biscate” por uns tantos ou como “bico” por outros.

Provavelmente, a explicação seria pelo recebimento do pouco e irrisório salário, professores sem motivação e sem saída são obrigados a dobras de turnos e de esforços, sobrecarregando-se cada vez mais com “experiências” que nem sempre dão certo. Além disso, são obrigados, pela ausência da família e da sociedade, a serem tudo, menos professores.

Essa semana, após mais um mês de muito trabalho, comecei a pensar na quantidade de aulas e horas lecionadas em menos de dois meses letivos. Foram aproximadamente 265 aulas, que dá o equivalente há 10.600 minutos. É mole?

Apesar disso, sou professor e me orgulho de sê-lo. Tenho fé na possibilidade de um mundo melhor pela educação. Não posso me sentir desencorajado porque ao meu lado caminham homens e mulheres descrentes. Como homem, sou frágil, sujeito a reboque vez ou outra. Acredito na minha força enquanto educador porque acredito na força transformadora que o conhecimento traz.

Enfim, sou professor porque acredito na transformação do ser humano e do mundo. Muitos não acreditam em mim, eu sei. Isto é normal. Nem governos, nem famílias, talvez nem companheiros de profissão. Mas a mim não me importa o crédito alheio. O Mestre dos Mestres ainda hoje desperta interrogações e quase sempre é ignorado e nem por isso deixa de exercer um fascínio sobre a humanidade, mudando-lhe os rumos e as atitudes.

Portanto, defendo o que penso sabendo que penso para o bem. Defendo minhas convicções não por achá-las melhor do que as de ninguém, mas por achá-las melhor do que a mim mesmo. Afinal, a cada dia preciso estar melhor. É isso!

 

PS: É necessário amor na vida de toda e qualquer pessoa, por uma questão de bem-estar e também por uma questão de você conseguir com pouco obter o muito, isto se você souber utilizá-lo.

Escrito por Jamilton Neres às 12h19
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15/11/2010


Arte e Proclamação da República

Esta tela clássica de Benedito Calixto, Proclamação da República, pintada em 1893, apenas quatro anos após a proclamação da república, retrata fielmente quem participou do ato decisivo para a mudança de regime político no Brasil: apenas os militares estavam presentes no Campo de Santana no dia 15 de novembro de 1889. O povo não só não participou da derrocada do Imperador como demorou alguns dias para compreender o que havia acontecido, uma vez que a notícia não foi nem destaque na imprensa no dia seguinte.

No entanto, a tela tenta passar a ideia de um momento solene, quase épico, que o ato, na realidade não teve. Sem resistência por parte das tropas, que já estavam ao lado dos republicanos, o Marechal Deodoro da Fonseca praticamente cumpriu um ritual, ocupando o Campo de Santana, atual Praça da República, no Rio de Janeiro. No final da madrugada, as tropas comemoraram o fim do Império. No entanto, como o Campo de Santana era usado constantemente para exercícios militares, exatamente por ser em frente ao Quartel-General do Exército (à direita na tela), a movimentação não chamou a atenção da população da cidade, que foi dormir em um país monarquista e acordou em uma república.

O Campo de Santana tinha esse nome até 1822, por sua proximidade com a Igreja Nossa Senhora de Santana. A partir de então passou a se chamar Campo da Aclamação, referência às comemorações populares realizadas no local aclamado D. Pedro I como primeiro imperador do Brasil. Depois de 15 de novembro de 1889, passou a se chamar Praça da República. É isso!

Escrito por Jamilton Neres às 11h29
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21/10/2010


Paulo Beringhs Censurado

Não sou Goiano, mas por morar a quase oito anos em Goiás, já me considero como tal. Mas, uma coisa sempre me tirou do sério aqui em Goiás, é o jornalismo – imprensa. Claro, não posso generalizar, toda regra sempre tem sua exceção. Porém, existem muitos jornalistas no Estado que merecem voltar para a escola, ou melhor, procurar outra profissão.

Em Goiás, existem dois “grandes jornais” com grande circulação, na qual nem vou citar o nome, pois ambos em minha opinião são vendidos, limitados e sem nenhuma credibilidade e tampouco, senso crítico. O que importa para ambos é simplesmente, o Saldo Disponível Para Saque, ou seja, vendidos.

            Mas, existe um jornalista no Estado, que eu sempre admirei por suas opiniões, pela forma como apresenta os programas jornalísticos, independente de sua ligação política. Estou falando de Paulo Beringhs. E, fiquei mais fã ainda, depois que ele pediu demissão durante o programa.

            Motivos do pedido de demissão: Os dois candidatos ao Governo de Goiás, Íris Resende e Marconi Perilo foram convidados para uma entrevista no programa apresentado por Paulo Beringhs, na horrível TBC – Teve Brasil Central, que em minha opinião, deveria fechar as portas, pois é uma pífia emissora. Íris Resende não foi ao programa, mas mandou um representante; no dia seguinte seria a entrevista com o candidato Marconi Perilo, só que Beringhs, foi notificado de uma ordem, na qual não poderia receber Marconi Perilo no programa. Lamentável!

            Indignado com a situação de censura, o jornalista Paulo Beringhs, acusou de censura o grupo de Íris Resende e o péssimo Governador Alcides Rodrigues, pela interferência no desenvolvimento do programa.

Portanto, Paulo Beringhs parabéns pela coragem! Parabéns pela frase fantástica: "Garanta seu emprego que eu garanto a minha dignidade". Dignidade e ética são qualidades de um bom jornalista. É isso!

 

P.S: Dule, a parte política deixo pra você comentar, pois têm mais credibilidade.Video da demissão: http://www.youtube.com/watch?v=hcH008TtZAA

Escrito por Jamilton Neres às 16h36
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DVD: Arnaldo Antunes Ao Vivo Lá em Casa

           

          No último dia 19 de outubro, tive a grande sorte de encontrar por acaso o canal de TV por assinatura Vh1 Brasil, que apresentou um especial do grande cantor, compositor, escritor, poeta Arnaldo Antunes, ex-integrante dos Titãs.

            Arnaldo Antunes acaba de completar meio século de vida e, por conta disso, teve uma comemoração especialíssima. Em sua própria casa, rodeado de amigos, família e, muita música, celebrou a data em grande estilo e como gosta: fazendo um show com sua banda e músicos convidados. O resultado desse encontro se transformou na gravação de um DVD: Arnaldo Antunes Ao Vivo Lá em Casa, sua primeira produção nacional de 2010.
         No especial, o músico interpreta músicas de seu mais recente álbum ‘Iê Iê Iê’, na laje de sua casa em São Paulo. O show conta ainda com participações de Erasmo Carlos, Jorge Ben Jor e Demônios da Garoa. Tudo isso acompanhado de perto de parentes, amigos e parceiros musicais, que se reuniram numa festa única.

         Para fazer o DVD do disco Iê Iê Iê, Arnaldo Antunes teve uma ideia diferente. Fazer um show com Jorge Benjor, Erasmo Carlos, Fernando Catatau e Demônios da Garoa em sua própria casa, transformando a laje em palco, o quintal em pista e a vista da cidade de São Paulo em cenário
Para aqueles, que são fãs de assistir Making Of (como meu amigo, Leandro), vai adorar esse DVD, pois Arnaldo convidou simplesmente o cineasta Andrucha Waddington, da Conspiração Filmes, que cuidou de espalhar as câmeras e dirigir a transformação da casa para que você possa ao ver o DVD, estar dentro desse encontro especial como mais um dos amigos de Arnaldo Antunes.
         Para aproveitar o clima de "festa em casa", os Demônios da Garoa, que homenagearam Adoniran Barbosa, se apresentaram dentro da casa antes do show, tocando samba pelos quartos e no quintal da casa. Outra coisa, muito interessante nesse DVD é a casa do Arnaldo que parece mais um centro cultural, com uma biblioteca na sala, simplesmente demais.

         Enfim, pelo que foi apresentado no Canal Vh1 Brasil, esse DVD é de altíssima qualidade, simplesmente fantástico! Vale ressaltar a qualidade das músicas apresentadas pela banda de Arnaldo Antunes, grandes músicos. O guitarrista dele é só o Edgar Scandurra, um dos maiores guitarrista do Rock Nacional, ex-integrante do Ira!.   Eu recomendo, na moral! É isso!

Escrito por Jamilton Neres às 15h36
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20/10/2010


Tropa de Elite 2

    Tive o prazer de ir ao cinema conferir de perto e fiquei muito satisfeito, um filme critico, realista e que aborda uma das faces do “sistema” que poucos tiveram coragem ou ousadia de explorar.

    Nesta segunda produção o ex-capitão agora coronel Nascimento (Wagner Moura), surge 10 anos mais velho, lutando com o inimigo que ele jamais sonhou enfrentar, o sistema. O inicio do filme é um fundo preto e a frase: “Apesar de possíveis coincidências com a realidade, este filme é uma obra de ficção”, o que não deixa de ser uma verdade, pois o filme explora os conflitos pessoais de um policial militar, o trafico de drogas, as milícias e toda a fragilidade e corrupção do sistema de segurança pública do Rio de Janeiro, de uma forma espetacular, contundente e realista.

     “Tropa de Elite 2” faz uma critica profunda aos governos. Um fato muito curioso e que despertou a atenção de muita gente, foi à data de estréia do filme: 08 de outubro, cinco dias após as eleições 2010. Seria mais uma manobra do governo evitando que o filme exercesse influência sobre o eleitorado brasileiro? Segundo o diretor José Padilha, não. Eu acredito que ele esteja correto, pois, infelizmente o Brasil vai continuar o mesmo depois do filme.

     Tropa de Elite 2 tem o mérito não só de superar em todos os aspectos o primeiro filme, mas também de tirar o público de sua zona de conforto, colocando-o frente a frente com o lado mais torpe e vil do ser humano. Outra faceta é mostrar quando, onde, como e porque a mercadoria mais negociada em nosso mundo nunca foi à cocaína, nem as armas. É o voto. É através dele que se mantém o estado das coisas, o “sistema”. É assim que o “sistema” cria seus tentáculos dentro do estado, do crime e da mídia, se aproveitando da ignorância e da população — e reelegendo sistematicamente os governos para manter os mesmos status.

    No final do filme, o vôo rasante pela esplanada dos ministérios e pelo congresso nacional em Brasília deixa sugerido onde começa e onde termina o “sistema”. Ao Brasil, fica a mensagem para o dia 31 de outubro, quando o país vai escolher qual dos dois “lados” (o vermelhinho ou o azulzinho) vai manter o “sistema” exatamente como está pelos próximos quatro anos. É só depois de vender sua mercadoria mais valiosa que o eleitor estará liberado para voltar a sonhar com o Rio de Janeiros das novelas do Manoel Carlos (risos). É isso!

 

Escrito por Jamilton Neres às 00h39
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19/10/2010


“Quem desconfia fica sábio”

Quem desconfia fica sábio”. Concordo plenamente com Guimarães Rosa, pois, analise comigo: recebo uma informação, um dado conhecimento simplesmente repassado e, por mais que ache interessante e cativante, prefiro não questionar e acabo por engavetá-la. Posso até estar por dentro do assunto, mas não terei argumentos suficientes para defender tal ideia, caso esteja em meio a um debate. Já, se recebo uma determinada informação que me aguça a curiosidade e, ao invés de engavetá-la investigo o tema, por diversos meios, como livros, Internet, periódicos, entrevistas... Torno-me um verdadeiro conhecedor do assunto, apto a debatê-lo. Um sábio.

Eistein, Galilei, Copérnico, Newton, Da Vinci, tantos foram os sábios que delinearam a história da humanidade ao longo dos tempos, cada um na sua época. Alguns foram eternizados, como Eistein e Da Vinci. "De tempos em tempos, o Céu nos envia alguém que não é apenas humano, mas também divino, de modo que, através de seu espírito e da superioridade de sua inteligência, possamos atingir o Céu", disse Visari no século XVI.

 Leonardo Da Vinci é considerado por muitos o maior gênio da história. Nascido em 15 de abril de 1452, na localidade de Vinci, situado na margem direita do rio Arno, perto dos montes Albanos, entre Florença e Pisa, foi o mais importante contribuidor da Anatomia Moderna.

Para se ter idéia do que Leonardo fazia para conhecer o corpo humano, se fosse feito nos dias de hoje a pessoa seria considerada maníaca, louca, desvairada... Dizem que ele roubava corpos humanos de necrotérios, à noite e, em meio aos maus odores da decomposição, dissecava-os para poder estudá-los.

Graças a ele, os anatomistas de hoje sabem o que sabem e podem ajudar as pessoas, porque existiu um “louco” que rompeu as barreiras impostas pela sociedade e demais segmentos da época. Graças a alguém que não pensou somente em si, mas na humanidade como um todo, e nos benefícios que suas pesquisas (“loucuras”) poderiam trazer a todos.

Por isso, a sabedoria não pode ser desprezada. O desejo por ela não pode ser deixado de lado, para se desejar coisas fúteis e por vezes desnecessárias. A sabedoria é o mais importante. Sem ela, os políticos “espertos” nos manipulam como se fossemos fantoches no palco “deles”. Sem ela não sabemos como nos comportar, agir, falar, se expressar... enfim, não sabemos nada.

Jamelão, na moral! Jóia


 

Escrito por Jamilton Neres às 11h02
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13/09/2010


Once - Apenas Uma Vez

      Apenas Uma Vez é um filme fantástico! O enredo de roteiro pode não impressionar ninguém. E nem deveria. O filme resulta memorável pela sua habilidade em fazer o que parece óbvio a qualquer produção: Deixar que seus personagens guiem à história.

      O universo de Apenas Uma Vez é real, povoado por pessoas de verdade, com sentimentos de verdade que afloram através das belas canções da trilha sonora, que resulta assim não num filme que usa a música apenas como linguagem, mas como tema. O romance é menos físico e mais pelo processo criativo. O relacionamento se torna colaboração - e há poucas coisas tão românticas quanto isso.

      O enredo do filme se passa pelas ruas de Dublin, onde um imigrante tcheco toca suas composições próprias para arrecadar alguns trocados. Passando um dia por acaso, uma pianista se encanta pelas melodias e entra, sem querer, na vida do estrangeiro. Quando menos percebem os dois estão compondo canções sentimentais juntos, mas encontram algumas dificuldades para dar início a um romance. Ela é casada e ele vem de um relacionamento amoroso frustrado.

      É uma história com muita música e exalando romance. É… romance. Só que não há, em nenhum momento do filme, se quer um beijo. E é nisso que consiste toda a poesia da história. Pesquisando sobre o filme, encontrei alguns dados interessantes sobre a sua produção: Além de parecer caseiro – foi filmado em 17 dias com um orçamento de apenas US$ 150, 00 – sem grandes efeitos (nenhum), mas com impressionante doçura e pureza das personagens. Simplesmente fantástico!

     Enfim, um filme impressionante, belíssimo e encantador, quem puder assista, além de bem pra alma, fará bem pros ouvidos. A trilha sonora é espetacular! Eu recomendo! É isso!

Escrito por Jamilton Neres às 16h57
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17/08/2010


"Mercado e suas regras"

     No contexto da sociedade atual, sem dúvida, a economia é o tema central, é a grande questão. Não somente porque nós vivemos numa sociedade capitalista, em que tudo está centrado na questão da economia e do aumento de capital, mas também porque na vida real as coisas passam pelo campo econômico. E para comprar é preciso estar inserido no mercado.

     Sendo assim, presenciamos o mundo marcado por importantes e urgentes questões: a influência dos novos meios de comunicação, informática e telemática. O ser humano arbitrariamente destrói seu ecossistema (poluição, guerras, miséria, fome). O meio urbano perde sentido numa atmosfera de cidade sem lei, marcada pela violência, tráfico de drogas e corrupção. Enfim, um quadro de perplexidade diante da metáfora de uma sociedade movida pelo aparente sucesso.

     A globalização defende o modelo social de um mercado econômico acessível a todos. Um discurso sedutor e falacioso. O desmonte do Estado moderno é única resposta para a crise do capital, afirmam os estudiosos do mercado. As garantias sociais de emprego, educação, saúde etc. são esmagadas por um mercado arrebatador e cruel.

     A exclusão social é o resultado de uma economia sem coração, cujo objetivo principal é a manutenção do consumo para um grupo de habilitados consumidores – a elite econômica local e mundial.

     Numa sociedade capitalista, estar excluído do mercado é estar excluído das condições dignas de vida. Porque as coisas necessárias para uma vida digna você consegue via mercado. A grande pergunta é: por que o sistema econômico no qual vivemos hoje exclui tanta gente das relações econômicas e sociais que passam através do mercado? A resposta é simples: o problema é que no sistema capitalista, as regras do mercado passaram a ser as únicas regras. É isso!

 

Escrito por Jamilton Neres às 23h42
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"O Bem Amado"

 

     Amado mau-caráter. Pode ser esse adjetivo que melhor se enquadra ao personagem Odorico Paraguaçu, um político inescrupuloso, hipócrita, machista, mal-intencionado, carreirista e impiedoso que governava a cidade de Sucupira, que o grande autor Dias Gomes, conseguiu fazer uma metáfora do Brasil em sua obra.

     Baseado na obra de Dias Gomes, o filme “O Bem Amado” conta a história do prefeito Odorico Paraguaçu, que tem como meta prioritária em sua administração na cidade de Sucupira a inauguração de um cemitério. É apoiado pelas irmãs Cajazeiras – com as quais o político viúvo mantém relações muito próximas. E tem em Vladimir (Tonico Pereira), dono do único jornal da cidade, seu principal opositor.

     A história passada no início dos anos 60 é narrada por Neco Pedreira (Caio Blat), um jovem que se apaixona por Violeta (Maria Flor), a filha do prefeito, moça moderna que estuda na capital. Os dois vivem um romance proibido enquanto Odorico sonha em abrir o cemitério municipal. Por falta de defunto, o prefeito nunca consegue realizar sua meta. Odorico arma situações para que alguém morra – inclusive importando um moribundo (Ernesto) que não morre e contratando Zeca Diabo, o matador responsável pela morte de seu antecessor.

     O Bem Amado apresenta o conservador Odorico e o esquerdista Vladimir (Tonico Pereira), dono do jornal A Trombeta, como rivais. O tempo todo eles se atacam e disputam à preferência popular, bem como o cargo de prefeito. Odorico quer inaugurar um cemitério na cidade, desvia verbas para tornar isto possível, mas fracassa na inauguração, já que ninguém morre em Sucupira (risos).

     Enfim, depois de ter feito um grande sucesso nos anos 60, quando ganhou as telas do país, trinta e oito anos depois da exibição da novela, “O Bem Amado” convida o telespectador a reviver essa história. Mas, desta vez, nas telas de cinema e com uma proposta mais moderna e ainda, muito engraçada. É isso!

 

              Jamelão, Na Moral! Alegre

 

Escrito por Jamilton Neres às 13h55
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20/07/2010


Conto: O Chapéu

      Planejei meticulosamente o assassinato de Manuel Soares. Podia fazê-lo com as próprias mãos; preferi, porém, contratar um pistoleiro.

      Para que Isabel não sofra, ou não sofra tanto, é imprescindível tirá-lo do caminho. Se eu próprio o matasse, o complexo de culpa iria atormentá-la, tornando impossível o grande e mais intenso amor de sua vida, fogo em que se tem consumido lentamente (emagrece e chora em silêncio, tem os olhos ardidos e o corpo trêmulo) e entre um gemido e outro de prazer eles haveriam de ouvir seu riso sarcástico e maldoso.

       Mas para eliminá-lo da face da Terra, arrancá-lo da cidade como se fosse uma erva maldita, foi preciso antes que eu o odiasse. Por isso, dia após dia (somos colegas de repartição), procurei descobrir nele atitudes dissimuladas, falsidades, orgulho, mesquinharias que me dessem motivação para levar adiante o meu intento. O ódio foi alimentando-se do conhecimento. Hoje pela manhã atingiu o limite máximo, quando entreguei ao pistoleiro a quantia estipulada para o crime.

       -- Exatamente às 20 horas, todas as noites, ele sai de seu apartamento na rua G, prédio 203. Hoje é segunda-feira, portanto estará vestido de calça de linho branco, camisa azul-marinho e chapéu de feltro. Preste atenção ao chapéu. É um dos últimos homens a usá-lo nesta cidade. Atire assim que atravessar a porta de vidro do edifício.

       O pistoleiro recuou e, sem dizer sequer uma palavra, saiu da sala.

       Os longos anos de convívio e o plano longamente arquitetado me possibilitaram conhecer todos os hábitos de Manuel Soares. Sim, não há possibilidade de engano. Exatamente às 20 horas estará na calçada, tirará o chapéu e baterá com a mão sobre o feltro (para retirar o pó), olhará indeciso para ambos os lados e enfim optará pelo direito, caminhará durante 45 minutos, ora fumando, ora assobiando uma velha canção portuguesa, e depois retornará ao apartamento. Suponho que antes de dormir mergulhe e dentadura postiça num copo d’água, displicentemente.

       Hoje, durante o expediente, surpreendi-o agitado em diversas circunstâncias, esfregando as mãos com impaciência. Duas ou três vezes foi ao banheiro, atitude totalmente inabitual. Pressente Alguma coisa? E se na hora H resolver não fazer o seu passeio? E se estiver com cólicas? Um medo inconsciente? E se no exato momento passar pela rua um sujeito qualquer vestido de forma semelhante e o meu contratado disparar sobre um inocente?

       Não. Absolutamente não é hora de pensar em tais possibilidades. Manuel Soares será assassinado dentro de cinco minutos. O relógio da sala avança para o instante fatal.

       Vou apanhar meu chapéu e descer de encontro à bala que me espera.

                                Autor: Charles Kieffer.

       PS: Segue abaixo uma análise pessoal do conto. Leiam!

Escrito por Jamilton Neres às 01h09
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O Chapéu - Análise pessoal:

     O fato de o narrador ser a própria vítima e o leitor só saber isso no final do texto é o que torna esse conto muito interessante. Trata-se de um narrador personagem onde o mesmo pretende ainda nos fazer acreditar que ele e Manuel Soares são duas pessoas distintas, mas descreve suas próprias atitudes. O narrador se refere a Manuel Soares como se fosse uma 3ͣ pessoa – e não ele mesmo. Todo o tempo é como se ele fosse o vilão e Manuel Soares, a vítima.

      Quando ele diz que precisou conhecer Manuel Soares melhor para poder odiá-lo, atentando para suas características negativas; diz também “somos colegas de repartição”, como se fossem duas pessoas; diz “será que presente alguma coisa?” e “surpreendi-o”; diz “Manuel Soares será assassinado, e não eu”. Manuel Soares é o próprio narrador, marido de Isabel.

       O texto nos apresenta uma história de amor entre Manuel Soares e Isabel, que chegou ao fim. Isabel é esposa de Manuel Soares, mas ela não o ama mais, está apaixonada por outro homem. A frase “fogo em que se tem consumido lentamente (emagrece e chora em silêncio, tem os olhos ardidos e o corpo trêmulo)” tem indícios de que ele e Isabel têm intimidade, vivem juntos. Esse é o fogo da paixão, porque ela é casada e não pode ficar junto do seu grande amor.

      Tendo conhecimento disso, Manuel Soares contratou um pistoleiro, um matador profissional para dar cabo a sua vida. Porque ele deve amar muito sua mulher, Isabel, e não queria viver sem ela; ou, por amá-la muito, deseja que seja feliz, mesmo que seja com outro. Para Isabel não sofrer, é realmente necessário tirar Manuel Soares do caminho dela, ou seja, ela só será feliz se ele não existir mais, porque ele atrapalha a vida dela, impede que ela viva seu grande amor.

       Isabel estava infeliz ao lado de Manuel Soares. Os sintomas são o choro constante (tem os olhos ardidos, chora em silêncio), falta de apetite (emagrece), sofre fisicamente (tem o corpo trêmulo). Ela sofre porque ama outro homem e não o seu marido.

       Mas para dar um fim em sua vida, Manuel Soares precisava ter mais motivos (risos), pois isso ele precisou se concentrar em conhecer seus defeitos, suas características negativas para então ter motivos suficientes para alimentar o ódio que o levaria ao assassinato. Mas por que ele precisou contratar um pistoleiro profissional? Porque, se ele mesmo matasse Manuel Soares, Isabel sentiria culpa e não poderia ser feliz com o grande amor de sua vida. Tem base? Não! A intenção de Manuel Soares é não deixar Isabel sofrer.

       Enfim, haveria outra solução para o problema de Manuel Soares? Claro que sim: ele poderia se separar definitivamente dela e recomeçar sua vida. Eis o ponto onde gostaria de chegar. Ao ler esse conto pela milésima vez (risos), comecei a pensar sobre os vários casos de assassinatos de mulheres, cometidos por ex-namorados/maridos. Os casos mais famosos são da advogada Mercia Nakajima e da modelo Eliza Samudio, que foram brutalmente mortas, e têm como suspeitos seus respectivos ex-companheiros.

      Portanto, Homens iguais ao personagem fictício Manuel Soares não existem. Pelo menos no que diz respeito a tirar sua própria vida para deixar sua “amada, ex-amada” ser feliz com outra pessoa. Agora, aceitar um não, saber admitir que chegou ao fim um relacionamento, recomeçar sua vida sem problemas, é o mínimo que um Homem consciente pode ter em um fim de “relacionamento”. É isso!

 

        Jamelão, na moral! Indeciso

Escrito por Jamilton Neres às 01h04
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